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E finalmente eles deram as caras. A Ku Klux Klan (KKK) novamente apareceu nos jornais do mundo todo. Mas desta vez, a vítima não foi uma pessoa afrodescendente, o que é de praxe. Uma americana, branca, de Oklahoma, que foi recrutada pela internet para participar de um ritual de iniciação na Ku Klux Klan, foi assassinada após tentar abandonar o encontro.
Segundo autoridades, o ritual de iniciação já havia começado quando ocorreu o homicídio. O líder local da Ku Klux Klan, Raymond "Chuck" Foster, de 44 anos, foi preso sob acusações de assassinato e outros sete membros foram indiciados por participação no crime.
Como se não bastasse, em texto publicado no site do KKK, Robb afirma que "Barack Obama se tornou o primeiro presidente mulato dos Estados Unidos", e não negro, já que "ele não foi criado em um ambiente negro. Ele foi criado por sua avó [branca]", argumenta, na nota intitulada "América, nossa nação está sob julgamento de Deus!".
Robb interpreta que, com a eleição de Obama, o "povo branco" dos EUA vai perceber que é hora de se unir contra aqueles que odeiam seu modo de vida --estrangeiros e negros, de acordo com a KKK. Para ele, a votação da última terça-feira (4) não foi uma disputa entre liberais e conservadores, mas "uma guerra racial e cultural, travada contra o povo branco".
A KKK é a associação racista mais famosa do planeta, identificada historicamente por seus capuzes brancos, cruzes incandescentes e crimes raciais. Mas desde sua criação, na década de 60, cambaleia em sua ideologia contraditória.
Longe de apoiar egoístas, racistas, esquerdistas ou flamenguistas. O racismo, que impregnou a humanidade e que há séculos interfere nas atitudes das pessoas, condena não só os 888 grupos espalhados nos Estados Unidos, mas também os freqüentes conflitos entre os países.
Sobre as eleições não seriam diferentes as reações. Na internet alguém escreveu: “Este negro safado é do Quênia e vai deixar a América feito a África”. E como resposta, um negro diz que “esses brancos pecadores devem ser dizimados da face da terra”.
O racismo está em toda parte até hoje. Palestinos contra judeus e vice-versa. Faxina étnica na Bósnia, Iraque, Taliban e Guantánamo, Irã contra Israel, brancos contra índios e vice-versa na América Latina. As freqüentes brigas na França também são justificadas pela raça. Também foi racismo quando os Otomanos invadiram meio mundo no mediterrâneo, e também é racismo o que a Rússia faz com os outros países menores da Europa Oriental.
O “racismo” vai além da cor da pele. Esse sentimento podre é somente um tipo de estratégia para colocar a culpa de algo em alguém. A culpa é sempre do outro, do “diferente” de todos. Desde criança já praticamos o racismo – já se esqueceram do bulling?
Obama não foi eleito porque é negro. Ele venceu porque é inteligente, capaz de fazer diferença e de mudar a cara da América. Ou porque tinha uma ótima assessoria. Seja qual for o motivo, até a imprensa é racista: falar em “presidente negro” já mostra como os termos se separam, se dividem, se segregam. E se der algo errado, não irá faltar reclamação do tipo “Viu? A culpa é do negão!”. “Não. Não é! A culpa é dos brancos azedos e racistas do sul!”. Aí a Casa Branca vai ficar de todas as cores, Branca por fora, preta por dentro, vermelho de vergonha pelos preconceitos e azul de inveja quando observam países como a Suíça que não tem problemas com o racismo.
Continuando assim, será uma vitória da Ku Klux Klan. Do preconceito e dos árcades. Do mal contra o bem, ou do bem contra o mal, que dá no mesmo.
Por: Gustavo Souza

Recesso branco no Congresso. Em decorrência do período eleitoral nos municípios brasileiros, os parlamentares têm se beneficiado do direito a “licença” para irem aos estados de origem prestar apoio aos aliados nas campanhas. Com essa saída estratégica os suplentes estão garantindo seus dias de fama. Está aberta a temporada de caça às benesses que o poder legislativo oferece.
A notícia da semana foi a posse da segunda suplente do senador Fernando Collor, que saiu de licença, por 90 dias, para apoiar a campanha de familiares em Alagoas. Com esta saída, o número de suplentes aumentou: mais de 20% dos 81 senadores eleitos.
A agência de notícias do Jornal Estadão publicou matéria sobre a posse de Ada Mello, a segunda suplente de Collor. No texto constam informações sobre a senadora que assumiu o cargo depois que o primeiro suplente, Euclydes Mello, também deixou o poder para auxiliar na campanha do município de Marechal Deodoro, no Estado de Alagoas. A matéria ainda cita informações sobre as intenções de Ada em lutar pelos “menos favorecidos”. O discurso de luta em prol dos oprimidos foi feito no plenário da casa, na última segunda–feira, dia 15 de setembro. A matéria ainda cita a proposta de emenda constitucional sobre o caso de suplência de senadores, que ainda está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça daquela casa.
O site G1 também noticiou esse caso. No entanto, as duas matérias são similares a da Agência Estado. Somente são acrescidos dados sobre outros senadores que deixaram seus cargos para suplentes este ano.
Tanto a rádio Band News quanto a CBN não noticiaram o caso. Em relação aos veículos televisivos, fora a TV Senado, que fez a transmissão ao vivo da posse da Ada Mello, não houve ocorrência sobre o assunto.
Uma questão como essa não pode ser deixada de lado. A população, que é quem elege os parlamentares, deveria ser melhor informada sobre o assunto. Ao contrário, a informação ficou restrita à internet. Com um sistema de comunicação tão diversificado como o atual é inconcebível que um assunto dessa magnitude fique refém a apenas um instrumento de informação. A internet ainda não é acessível a toda a sociedade.
Acrescente-se a isto o fato de a população não possuir conhecimento apurado acerca do processo de suplência na política brasileira. Muitas vezes nem se sabe quem é o suplente do político eleito. Isso mostra que o Brasil ainda está longe de ser democrático de fato.
Ninguém compra um produto sem saber se um outro, muitas vezes de pior qualidade, pode substituir o principal. Porque, então, na política tem que ser assim? Nessa perspectiva os veículos de comunicação, muitas vezes, são complacentes. A mídia deve, ou pelo menos deveria, honrar o acordo tácito firmado com a sociedade: divulgar todas as informações necessárias à formação de opinião para que a população possa tomar decisões.
Ainda estamos longe disso.

Nesta terça-feira (9/9) uma crise abalou a nossa economia neoliberalista. Segundo os jornais mais lidos brasileiros, o problema ocorreu “depois que os preços de commodities sofreram queda”. As quedas de preços das matérias primas como gás natural, petróleo e metais derrubaram o índice do Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores do país. Com o resultado desta terça, a bolsa paulista acumula queda de 13% em setembro e 24,1% no ano. Na véspera, o desempenho do mercado brasileiro já havia sido ruim: baixa de 3,96%.
Realmente, matérias de economia são difíceis de engolir. Expressões como “commodities” ou “índice de desvalorização” provocam uma fuga em massa da sala de TV. Pensando nesse fenômeno, é comum ver meios de comunicação populares como o Jornal Nacional e Jornal da Record tentando simplificar o tema para que o telespectador não se sinta tão burro.
Segundo o JN, nossa economia estava seguindo “o caminho vermelho para o fundo do poço” e que “o dólar era o culpado”. Já o Jornal da Record fez uma análise tanto quanto mediana, citando mais as bolsas internacionais do que a própria Ibovespa.
Este tema deu muito pano para manga porque o Ibovespa permaneceu no vermelho. O Jornal da Record voltou a falar sobre o assunto na quinta-feira da mesma semana e deu um pouco mais de crédito aos problemas do Brasil. Contudo, o JN não se preocupou em dar mais detalhes sobre o assunto.
Diferente do ocorrido no horário nobre, o Jornal da Globo superou a expectativa de ambos jornais, explicando com detalhes claros a situação em que o Ibovespa se encontrava e indicando as futuras saídas para a bolsa paulista. A matéria de 6 minutos trouxe um analista que falou economês por longos 3 minutos. Pelo menos deixaram para o analista a parte complicada. Nos dias seguintes, quarta e quinta-feira, o jornal ainda voltou ao assunto.
Band News e CBN mostraram tudo que era importante comentar, além de citar os preços cotados nas bolsas no final do dia. A Band News voltou com o mesmo tema na quarta-feira, dando uma cobertura mais apurada ao assunto, mas não voltou a falar sobre.
A CBN pode receber mais créditos porque acompanhou o desenvolvimento mais vezes durante a semana. Apoiada em vários comentaristas e especialistas, ela produziu matérias que variavam de cinco a doze minutos de duração – consideradas grandes para uma rádio. A rádio analisou de forma mais clara e conseguiu explicar em minúcias os pontos que ficaram brancos na cabeça dos ouvintes.
Em O Estado de São Paulo, levamos duas colunas inteiras para ouvir a palavra commodities, termo tão explicado nas outras mídias. A queda é diretamente ligada à alta do dólar sem, no entanto, ser explicado o porquê.
O Globo conta como o pessimismo gerado na economia americana, devido à crise nas hipotecas do país, levou a Bovespa à queda. Ponto! Mas ponto perdido ao continuar a leitura cheia de números e análises pouco claras.
Mas engraçado como o jornal disse que o caos estava instalado: o dia seguinte desmentiu o desespero. Com a chamada “Bovespa reage e dólar também sobe”, O Estado de São Paulo volta ao assunto em seu pobre único parágrafo cheio de números. Poderíamos perguntar a Claudia Violante, Denise Abarca e Paula Laier, jornalistas que assinaram a matéria, de onde foi o release resumido.

Internautas, hoje vamos falar sobre a cobertura jornalística com relação à denúncia de suposta irregularidade na compra da empresa Varig pelo grupo Varig Log.
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu afirmou ao jornal “Estado de S. Paulo” que a Casa Civil pressionou a Anac para aprovar a venda da companhia aérea ao fundo norte-americano Martlin Patterson associado a três empresários brasileiros, acionários da VarigLog.
Segundo Denise, a ministra Dilma Rousseff defendeu a omissão da nacionalidade dos recursos empregados pelos novos líderes da empresa e a participação de cada um nas ações da viação aérea, a fim de burlar a legislação brasileira.
Para nós, é legítimo o foco jornalístico sobre a legalidade ou não da compra da Varig. Mas falta o principal: os veículos não questionam os órgãos públicos responsáveis pelo serviço aéreo brasileiro a respeito da estrutura deficiente da aviação no país.
Esperamos que a resposta não venha por meio de mais um desastre aéreo como o da Serra do Cachimbo ou do Aeroporto de Congonhas.
