segunda-feira, 7 de abril de 2008

União paga R$ 12,28 milhões em indenizações retroativas a jornalistas anistiados

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
 
Brasília - Vinte jornalistas que sofreram perseguição política entre 1964 e 1988 e que serão indenizados pelo governo vão receber pensões mensais, quase todas acima de R$ 4 mil, e retroativas, que chegam a um total de R$ 12,28 milhões. Os nomes foram divulgados nessa sexta-feira (4), durante cerimônia comemorativa dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.
 
Os maiores beneficiados serão Ziraldo Alves Pinto e Sérgio de Magalhães Gomes Jaquaribe (Jaguar). Cada um vai receber R$ 1,253 milhão retroativo mais pensão mensal de R$ 4.365,88. Este será o valor da maioria das pensões.

De acordo com o ministro da Justiça, Tarso Genro, o projeto Caravana da Anistia, lançado ontem, vai percorrer todos os estados e países vizinhos até 2010. Realizará seminários culturais, arrecadação de documentos e sessões de julgamento, a exemplo da que foi feita na ABI. As próximas caravanas estão agendadas para o dia 15 deste mês, em São Paulo, e os dias 25 e 26, também deste mês, em São Domingos do Araguaia, no Pará.

O objetivo da Caravana da Anistia é contribuir para o resgate, debate e reflexão da história do país, além de tornar a atuação da comissão mais transparente.

A seguir, os outros 18 nomes dos jornalistas anistiados, com os respectivos valores das pensões mensais e ganhos retroativos:
- George de Barros Cabral, R$ 4.365,88 e R$ 944,679 mil
- Nilson Nobre de Almeida, R$ 4,365,88 e R$ 911,204 mil
- Joana D'Arc Bizzoto Lopes, R$ 4.592,00 e R$ R$ 870 mil
- Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel, R$ 4.365,88 e R$ 609,467 mil
- Ricardo de Morais Monteiro, R$ 4.365,88 e R$ 590,014 mil
- Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso, R$ 4.365,88 e R$ 580,941 mil
- Maria Ignes da Costa Duque Estrada Bastos, R$ 4.365,88 e R$ 571,652 mil
- Pery de Araujo Costa, R$ 4.365,88 e R$ 534,951 mil
- Sinval de Itacarambi Leão, R$ 4.335,00 e R$ 522,438 mil
- Félix Augusto de Athayde, R$ 4.365,88 e R$ 487,837 mil
- Maria Regina Pedrosa de Senna Figueiredo, R$ 3.231,00 e R$ 468,983 mil
- Orlando Maretti Sobrinho, R$ 4.365,88 e R$ 423,220 mil
- Ari Cândido Fernandes, R$ 4.365,88 e R$ 416,729 mil
- Amaro Alexandrino da Rocha, R$ 4.581,00 e R$ 404,843 mil
- Josail Gabriel de Sales, R$ 4.365,88 e R$ 378,349 mil
- Reynaldo Jardim Silveira, R$ 4.365,88 e R$ 373,043 mil
- Octávio Malta, R$ 4.365,88 e R$ 360,134
- Jorge Saldanha de Araujo, R$ 4.365,88 e R$ 325,564 mil

sábado, 5 de abril de 2008

Caravana da Anistia homenageia jornalistas mortos na ditadura

A memória dos jornalistas Davi Capistrano e Vladimir Herzog será lembrada no lançamento da Caravana da Anistia, amanhã (4), em cerimônia comemorativa aos 100 anos de fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

A caravana integra o Projeto Educativo Anistia Política: educação para cidadania, democracia e os direitos humanos, uma iniciativa da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A cerimônia na ABI contará com a presença do ministro da Justiça Tarso Genro.

O jornalista Davi Capistrano desapareceu em 1974 entre as cidades de Uruguaiana (RS) e São Paulo, depois de ter vivido clandestinamente no país por três anos, durante a ditadura militar. Vladimir Herzog morreu em 1975, depois de torturado no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, onde se apresentou para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro.

Para o presidente da comissão, Paulo Abrão, será um momento histórico. "O lançamento da Caravana na Anistia na sede da ABI possui dupla importância: retomamos a apreciação de processos de jornalistas perseguidos pelo regime e pela primeira vez realizaremos uma sessão de julgamento fora de Brasília, na presença do ministro da Justiça".

Segundo informou o Ministério da Justiça, além das homenagens, será realizada às 14h00 uma sessão extraordinária de julgamento, para apreciar requerimentos de anistia de jornalistas que alegam ter sido perseguidos politicamente durante o período de repressão do Estado.

Serão julgados os pedidos de Joana D´Arc Bizzotto Lopes, George de Barros Cabral (declaração post mortem), Ziraldo Alves Pinto, Ari Candido Fernandes, Maria Regina Pedrosa de Senna Figueiredo, Orlando Maretti Sobrinho, Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe (Jaguar), Ricardo de Moraes Monteiro, Sinval de Itacarambi Leão, Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso, Félix Augusto de Athayde, Amaro Alexandrino da Rocha, Pery de Araújo Cotta, Josail Gabriel de Sales, Reynaldo Jardim Silveira, Carlos Guilherme De Mendonça Penafiel , Octávio Malta (declaração post mortem), Nilson Nobre de Almeida, Jorge Saldanha de Araújo, Maria Ignes da Costa Duque Estrada Bastos.

Fonte: Agência Brasil

Álvaro Dias admite que foi fonte da Veja

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), em conversa exclusiva com Terra Magazine, reconhece que passou informações sobre o levantamento de gastos de Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, Ruth Cardoso, à revista Veja. Mas questiona: "Qual é o ilícito?".

José Cruz/Agência Brasil

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que admite ter repassado informações sobre o dossiê à revista Veja

- por Raphael Prado (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2725336-EI6578,00.html)

Depois das pressões feitas em plenário na quarta-feira, 2, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) admite que foi uma das fontes de informação da revista Veja para a matéria que denunciou um levantamento do governo federal com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, Ruth Cardoso. A atribuição do vazamento ao senador paranaense foi informada pelo Blog do Noblat.

Em conversa com Terra Magazine, Álvaro Dias sustenta que não há nenhum ilícito em "conversar com jornalistas". E que a revista tem outras fontes que não apenas ele:

- Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não.

Leia a entrevista do senador do PSDB:

O senhor admitiu que viu as informações antes de elas serem tornadas públicas. Em que circunstâncias isso aconteceu?
Álvaro Dias - Olha, o jornalismo investigativo tem prestado um grande serviço ao País, seria muito pior a degradação das instituições, não fosse a competência e a ousadia do nosso jornalismo de investigação. E isso se dá em razão de fontes. O jornalistas se utiliza de muitas fontes. Uma revista do porte da Veja, que só no escândalo do mensalão divulgou, se não me falha a memória, matérias de capa 17 vezes, não contou com apenas uma fonte. Certamente valeu-se de muitas fontes de informação. Eu tenho sido ouvido por muitos jornalistas, do Terra, de outros sites, de jornais, emissoras de TV e certamente outros parlamentares da mesma forma. Esse é o caminho para se produzir a informação.

O senhor então foi uma das fontes de informação desses jornalistas?
É evidente que é meu dever responder questões formuladas por jornalistas, e eu tenho feito. Obviamente, o que pretende o governo agora é tirar o foco, o governo não quer mostrar as suas contas. Mostra as do governo passado mas esconde as suas. E pretende exatamente desviar o foco do debate.

O senhor então foi fonte de informação do jornalista da Veja? Não a única, mas uma das?
(silêncio) Qual é a importância disso? Eu pergunto. Obviamente a Veja tem fontes no Palácio do Planalto... Qual é o ilícito em conversar com jornalistas, como eu estou conversando com você? Qual é o ilícito? Enfim, é surrealista essa história. Acho que o governo subestima a inteligência das pessoas, preparando uma estratégia como essa, tentando repassar responsabilidades. Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não. Então não há porque priorizar essa discussão, que a partir de ontem à tarde, priorizaram.

Certo. E se não há ilícito nenhum, também não há problema nenhum em admitir que o senhor foi uma das fontes, certo?
Uma das fontes é natural que eu tenha sido. Provavelmente alguma opinião minha pode ter tido alguma importância. Acho que estão superdimensionando a minha capacidade de obter informações.

Entendi. Mas o senhor obteve esse dossiê de que maneira? No Palácio do Planalto?
Eu não tenho o dossiê. Eu tenho informações sobre o dossiê. Como muitos possuem. Agora, quem mais tem informações sobre o dossiê é o presidente da República e a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil). Ela mesma, em São Paulo, no dia 17 de fevereiro, declarou taxativamente: "não vamos apanhar quieto, estamos fazendo levantamento de dados do governo passado". Ela sim tem todas as informações e é a melhor fonte.

Terra Magazine

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Dia do Jornalista na TV Senado

Em homenagem ao Dia do Jornalista, comemorado em 7 de abril, a TV Senado reprisa dois documentários sobre o assunto.


Carlos Castello Branco: O Jornalista  (sábado 5/4, às 15h30 e domingo 6/4, às 2lh)

Mostra a vida e a obra de um dos maiores ícones do jornalismo político brasileiro.
Desvenda o homem que durante anos fez da Coluna do Castello, no Jornal do Brasil, a principal fonte de informação e análise da política do país. Traz depoimentos de algumas das principais figuras da política brasileira nos últimos anos: gente que conviveu com Castellinho ou foi notícia nas colunas do jornalista.

Direção: Chico Sant'Anna e Aluizio Oliveira.

Mídia, Poder e Sociedade  (domingo 6/4, às 15h30)

O programa busca esclarecer as relações entre três setores que ganharam novas formas e importâncias na virada do século 20 para o século 21. Gravado no decorrer de 2004, o documentário traz depoimentos de jornalistas como Mino Carta, Renata Lo Prete, Alberto Dines, Ziraldo, Franklin Martins, Sidney Basile e Cremilda Medina e sai em busca do que influencia a imprensa; de como são produzidas as notícias; de quem faz as manchetes, e dos interesses que se escondem por detrás delas.

Direção: Aluizio Oliveira.

sábado, 29 de março de 2008

O factóide da Folha

Não adianta. Não existe responsabilidade institucional da mídia de opinião. Seja qual for o governo, é permanente a tendência de mostrar os músculos e fabricar crises, criar factóides e "esquentar" qualquer informação como se fosse o último papel de Watergate.

Tome-se a matéria de hoje na "Folha" sobre o tal dossiê com os gastos da família de FHC - divulgado na última edição da Veja (clique aqui).

Há um levantamento de dados sobre as despesas do Palácio no governo Fernando Henrique Cardoso. Não há compra de drogas, pagamento de prostitutas, desvio de recursos. Há uma ou outra conta mais elevada em restaurantes, aluguel de automóveis, como deve haver nas despesas pessoais da família Lula. Nada que denigra FHC. E são prerrogativas do cargo.

Por outro lado, há um sistema de cartões corporativos que permitiram alguns abusos. Nada que não pudesse ser consertado com uma definição clara do que pode ou não ser gasto com ele.

Cria-se uma crise política em torno da tapioca. Ameaça-se com uma CPI, com uma crise institucional e se chegar aos gastos pessoais do presidente e sua família. Cria-se um clima de escândalo antes mesmo de se conhecer os dados. O que saísse geraria escândalo, fossem pagamentos a cabeleireiros ou compras de tapiocas.

A Casa Civil entra no clima e se prepara para enfrentar a crise da tapioca na CPI. Procede a um levantamento de todas as despesas presidenciais englobando o período FHC. Até aí tudo normal.

Parte dos dados vaza para a imprensa. Para quem? Para a revista Veja. Nem o mais improvável dos "aloprados" buscaria a Veja para atacar o ex-presidente FHC. Logo, o vazamento dos dados partiu de alguém que não atuava em sintonia com a Casa Civil.

O ponto central da história não é saber se o levantamento foi feito ou não, se as informações estavam sendo organizadas ou não. É saber qual foi a motivação para o levantamento e para o vazamento de dados.

Tem duas possibilidades.

O governo diz que estava organizando os dados para poder fornecer à CPI quando solicitado.

Veja conclui, com a facilidade que lhe é peculiar, que o levantamento visava chantagear a oposição. Quais as evidências? Nenhuma.

É essa a questão central que a reportagem da Veja não esclarece. Mostrou tudo menos o essencial. Quem foi chantageado com esse relatório? Qual a prova de que se destinava a chantagear? Qual a testemunha que ouviu, alguma vez, que a intenção era a chantagem para evitar a CPI?

Agora vem a matéria da "Folha". Os jornalistas informam ter recebido o relatório ontem. Ora, havia um relatório circulando na praça, o que a Veja recebeu. Ou é crível imaginar que, depois do carnaval do final de semana, relatórios continuaram jorrando da Casa Civil? A não ser que o jornal apresente outras evidências, ele recebeu cópia do relatório que a Veja tinha.

Então, o relatório não era novidade. Não era novidade o fato de que a Casa Civil estava alimentando o sistema com os dados. A própria Dilma Rousseff já tinha admitido. Qual o furo da "Folha" então: a de que o trabalho foi pedido pelo "braço direito" da Dilma, a Secretária Executiva da Casa Civil. Em qualquer ministério, é o Secretário Executivo quem comanda o dia a dia. "Furo" seria se o pedido tivesse sido por alguém de fora da Casa Civil.

Depois, para "esquentar"a matéria, os procedimentos de sempre, afirmações colhidas uma fonte chamada Planalto.

A cúpula do governo avalia que a situação política da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se agravou e que ela precisa dar uma resposta rápida. Do contrário, corre risco de cair.

Tenha-se a santa paciência! Que mané cúpula! Imaginar que a peça central do segundo governo Lula, a maior unanimidade que se tem nesse governo, "corre risco de cair" por conta dessa notícia é exagerar na auto-louvação do furo. Até se aceita esse tipo de liberdade poética do senador Arthur Virgílio. Supor que a "cúpula do governo" admitiu, é demais.

E continuam os factóides:

No segundo mandato, é a primeira vez que um membro poderoso do governo e próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ligado a um escândalo.

Dias atrás, a "Folha" havia "denunciado"o que chamou de mentira do Ministro Tarso Genro. Ele teria declarado que os dados haviam sido solicitados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e o TCU o teria desmentido.

Como - ao contrário da Veja - a "Folha" se permite laivos de contraponto, deu a palavra ao Ministro:
Indagado pela Folha sobre o fato de o TCU (Tribunal de Contas da União) tê-lo desmentido, Tarso disse que quem errou foi o jornal, por ter divulgado informação "equivocada".

"O que eu disse é que a Casa Civil estava fazendo reparos na organização dos documentos para dar maior transparência, por orientação do TCU. Trabalhando os documentos, que não eram sigilosos, colocando-os dentro do sistema, e que vão estar à disposição quando a CPI precisar. Ele [o tribunal] confirmou o que falei."

E de factóide em factóide La nave va, enquanto as contas externas vão levando o país pouco a pouco para o centro da crise internacional.

Luis Nassif (http://www.projetobr.com.br:80/web/blog/5)

Enviada por Benildes Santos

terça-feira, 25 de março de 2008

Qualidade das fotos para o NaPrática (impresso)

Fiquem atentos em relação às fotos do impresso. Fora tudo aquilo que venho enfatizando (enquadramento, ângulos, iluminação, momento decisivo, punctun, equilibrio, simetria, espontaneidade, realismo etc) é preciso que vocês tomem cuidado com a definição da imagem. Ou seja, as fotos devem, OBRIGATORIAMENTE, ser feitas com a câmera Sony H9 (do IESB) ou outra tão boa quanto.
 
Salvem as fotos em TIFF com 300 dpi (no Photoshop) naquela pasta do impresso que fica dentro da pasta do Na prática 1°/2008. 
 
Qualquer dúvida, conversem comigo. 
 
um abraço,
Rose

Festival "É tudo verdade"

Pessoal,
 
Quem faz ou gosta de documentário deve conhecer esse festival. Confiram:
 
 
abs,
Rose

Dica bibliográfica

Prezada Rose May Carneiro,

O Circulando o saber traz para você mais um importante lançamento da coleção de jornalismo:

A ARTE DE ENTREVISTAR BEM
Thaís Oyama

Clicando na capa do livro abaixo, você terá acesso ao sumário e à introdução da obra.
O livro chega em nosso estoque no dia 28/03 e em seguida poderá ser encontrado nas melhores livrarias do país e nos sites da Livraria Cultura ou da Editora Contexto.


Este livro descreve os encantos e conta os segredos para escapar das ciladas daquilo que é a base da reportagem e, na opinião de muitos, seu momento mais prazeroso: a entrevista. Estudantes e até mesmo experientes profissionais do ramo muitas vezes deparam-se com situações complicadas. Como quebrar o gelo? Gravar ou não gravar? Como lidar com entrevistados difíceis? Guia abrangente, a obra aponta os erros mais comuns e indica truques infalíveis sobre o que fazer para não transformar a entrevista em um desastre, mesmo em situações imprevisíveis. Além disso, Thaís Oyama relata a experiência de 11 talentosos jornalistas para mostrar que, mais do que aprendizado teórico, a arte de entrevistar se aperfeiçoa com o exercício permanente da profissão.


A autora
Thaís Oyama é jornalista e está na revista Veja desde 1999. Já trabalhou na TV Globo (sucursal de Brasília), nas revistas Marie Claire e República (já extinta) e nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Desde 2003 dá palestras sobre técnicas de entrevista para jornalistas e estudantes de jornalismo.


Preço:
R$ 25,90
Nº Págs.:
112
Formato:
14 X 21
ISBN

978-85-7244-391-3




Diego Jock
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sexta-feira, 21 de março de 2008

Entrevista com a fotojornalista Claudia Andujar



 
 

Durante 34 anos, a fotógrafa Claudia Andujar, 74, focou seu olhar no povo ianomâmi. Eleger esse povo amazônico foi uma decisão quase intuitiva que se tornou a causa de sua vida, desde que travou o primeiro contato com eles, em 1970, aos 39 anos. Naquela época, Claudia trocou o trabalho de repórter fotográfica que exercia para revistas norte-americanas como Life e Jubilee e também para a Realidade, da Editora Abril, por seguidas vivências e documentações em terra ianomâmi, no Amazonas e em Roraima. Com um pé na cidade e outro na floresta, em 1978 ela participou da fundação da Comissão Pró-Yanomami, ONG que coordenou até 2000 e foi essencial na demarcação do território indígena ianomâmi, em 1991. Claudia nasceu na Suíça, passou a infância na Transilvânia (região entre Romênia e Hungria) e a juventude em Nova York e se mudou para São Paulo em 1955, aos 24 anos. Após viajar pela América Latina, em 1958 esteve com os índios pela primeira vez: durante dois meses, morou com os carajás na ilha do Bananal, hoje situada em Tocantins. O exercício de fotojornalista rendeu inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Hoje retrabalha suas imagens e mostra o que aprendeu nesses anos de dedicação "ao ser vulnerável".

Por que você escolheu os ianomâmis?

Em 1971, decidi deixar o jornalismo para desenvolver um trabalho autoral, extenso. Havia conhecido os ianomâmis pouco tempo antes, na Amazônia, como repórter fotográfica da revista Realidade. Eles ainda não tinham sofrido o contato desordenado com o mundo civilizado, eram mais livres. Fiquei tocada humanamente pela informalidade na vida cotidiana. Fui recebida com naturalidade, permitiram que a gente se conhecesse. Eles têm muita curiosidade em relação ao novo.

O que lhe chamou a atenção em relação ao modo de vida deles?

A sabedoria de viver no meio de uma natureza grandiosa, muitas vezes árdua. As relações entre pais, filhos, avós, a forma como conviviam. Durante os três primeiros anos de vida, por exemplo, a mãe não se separa da criança: dorme junto na rede e amamenta durante esse tempo todo. Há uma ligação física e emocional muito grande em relação às crianças. A opinião dos mais velhos é muito importante, sobretudo a dos xamãs, que são pessoas especiais que fazem a intermediação do ser humano com o mundo dos espíritos.

De que maneira sua espiritualidade foi influenciada por essas vivências?

Segundo o xamanismo, cada elemento da natureza possui um espírito com propriedades específicas para sanar o mal: o Sol, a Lua, o rio, o vento, as pedras, o homem. A interdependência faz com que cada um tenha papel insubstituível para o mundo funcionar. Embora não tenha participado dos rituais xamânicos – somente observei –, hoje me sinto integrada a esse pensamento de totalidade do Universo.

 

Como você transmitiu isso nas fotografias?

Uma parte do meu trabalho é dirigida aos rituais, nos quais os xamãs recorrem ao "invisível" para encontrar soluções como cura de doenças e falta de chuva. Para conseguir retratar esse pensamento ancestral e mitológico, procurei unir a imagem do homem a detalhes da natureza, utilizando fusões de fotografias. Tentei criar uma magia.

Qual é a grande diferença entre a nossa cultura e a indígena?

O acúmulo de coisas não tem valor para eles e a troca é mais valorizada do que a posse. A propriedade coletiva faz a grande diferença. Não há sentido em ser dono de uma terra, de um objeto, como na cultura ocidental. Em 1977, depois de morar durante 14 meses na comunidade dos Wakatautheri, em Roraima, quis jogar muita coisa fora ao voltar para minha casa, em São Paulo. Achava supérfluo. É claro que hoje em dia as coisas da minha casa me agradam pelo conforto, pela estética e pelas lembranças que trazem. Mas posso sobreviver sem elas. Os ianomâmis não acumulam por razões práticas também, porque quase tudo se destrói por causa da umidade, do calor e das pragas. Essas experiências criam em nós outra maneira de entender o mundo.

O que mais a tocou?

A fragilidade, quer dizer, a vulnerabilidade. Quando se enfrenta o desconhecido, há poucos meios de se defender. Há 30 anos, os ianomâmis não entendiam que havia um mundo que estava a fim de ocupar suas terras e extrair suas riquezas. Nos anos 80, durante a invasão da terra ianomâmi, os garimpeiros passaram a distribuir presentes para demonstrar "amizade", que foram aceitos por muitos. Até que as doenças apareceram e eles começaram a morrer.

Hoje eles possuem consciência dessa vulnerabilidade?

Existe uma geração que está se conscientizando, inclusive sobre a importância da língua e da preservação da cultura. Hoje há duas organizações não-governamentais voltadas para os ianomâmis: uma é a Comissão Pró-Yanomami, formada por uma equipe multidisciplinar em 1978, com objetivo de reivindicar ao governo brasileiro o direito às terras. A outra é a Hutukara, uma organização recém-criada somente por ianomâmis, cujo nome significa "terra ancestral". O presidente é o xamã Davi Kopenawa Yanomami, forte líder político. A idéia é que a CCPY se afaste e eles assumam a autonomia, tenham seus próprios advogados, projetos de saúde e educação e aprendam também a falar português.

Qual foi o dia mais feliz da sua vida?

O dia em que o governo brasileiro reconheceu as terras do povo ianomâmi, em 1991, foi inesquecível. Fomos convidados pelo Planalto a dar a mão ao presidente, o Collor (risos), que não foi aquela coisa que as pessoas desejavam, mas, para nós, a garantia das terras significou uma grande conquista. Com a criação do território indígena ianomâmi, mais de 96 mil quilômetros de terras foram destinados para uso e usufruto deles, em Roraima e no Amazonas. Me empenhei muito nessa questão, durante 14 anos. Uma dedicação que considero a coisa mais importante que fiz na vida.

Qual é o significado da fotografia na sua vida?

É com a fotografia que encontro mais facilidade de me comunicar e dizer o que penso do mundo. No meu caso, entender o outro por meio da fotografia também é um ato político.

PARA SABER MAIS

LIVROS

A Vulnerabilidade do Ser, Claudia Andujar, Cosac Naify

Graças às imagens de Cláudia Andujar o mundo passou a conhecer os índios ianomâmis. Suíça naturalizada brasileira desde 1957, Cláudia começou a carreira de fotógrafa na revista Realidade, mas logo partiu para um trabalho autoral junto aos índios na Amazônia. Publicou no exterior os livros Amazon (1973) e Mitopoemas Yanomami (1979) e passou a ser conhecida no Brasil por ter participado entre 1978 e 1992 da demarcação das terras do ianomâmis, em Roraima (uma área do tamanho da Bélgica). Fazia 20 anos que Cláudia Andujar não remexia em seus arquivos de fotos. Após dois anos revendo 15 mil negativos em preto-e-branco e tantas outras imagens em cores, ela apresenta em A Vulnerabilidade do Ser uma síntese acurada de toda sua obra com fotografias que tocam naquilo que há de mais humano: o amor pelo próximo. Com 142 imagens, a edição, que é bilingüe, traz artigos e uma emocionante entrevista com a autora.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Escala de Pautas - Turma 1 (Semana 4)

EditoriaRepórterSugestão de Pauta
CidadaniaFernandaConvenção Nacional GLST
CidadaniaAna CandidaQuem vai estudar na nova UNB
CTMAErikRachel - Softhare que transforma as letras em som
CTMAHeberTransmissão digital - O que acontecerá com as rádios do DF
ComportamentoCristianeEgoísmo juvenil no DF
Cult. e LazerGustavo ChavesBrasília é o 1º Lugar na venda de livros de auto-ajuda
Cult. e LazerGustavo SouzaMambembes - Atores que praticam teatro ambulante
Cult. e LazerBrunoParque Jequitibá - Problemas e soluções
EconomiaCamila DenesPessoas que se individam para comprar objetos que fogem de seu orçamento financeiro para parecer rico

Lembrando que as matérias serão entregues somente no dia 25/03 na terça-feira.
Agora é pra valer, os erros serão considerados e descontados da nota.
Boa sorte.

Dúvidas? enviem para jornalistass@gmail.com