terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

França não tão brilhante assim


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No início do ano estava vendo alguns noticiários sobre a crise na França, tanto cultural quanto econômica e sobre as incríveis mudanças no pensamento hegemonico desta nação. Mas a economia ainda permanece, para a sociedade internacional, insatisfatória. Os lucros e movimentação financeira da França deixam a desejar e muito - não para eles próprios, que arrecadam bilhões. Não há problema algum quando falamos sobre negociação internacional. Oras, podemos ver a China entre os grandes investidores e mesmo assim ainda compactuam com a Coréia do Norte. O problema está quando um país desenvolvido, parte do bloco mundial mais rico, fecha os olhos para os clientes econômicos e ainda recriminam quando outros países fazem o mesmo.


Ressalto o significativo laço econômico que a França tem com a Tunísia que não para por aí. A aliança também permeia a área política e militar. Atualmente - há anos - estes países estão envolvidos em crises políticas e administrativas e protestos decorrentes contra as classes dominantes da região por causa de corrupção. A França, por sua vez, mantém ativa cerca de 1.250 empresas que movimentam a economia na Tunísia. Lá, ocorreu uma mobilização social que provocou a queda e fuga do presidente Zine El Abidin Ben Ali (espero que o nome esteja correto) - que liderava um regime ditador desde 1987.


As empresas francesas estão em praticamente todos os setores do mercado no país. O investimento da França já atingiu US$ 190 bi em 2009, convertendo a França no principal país investidor na região de Magreb (Marrocos, Sahara Ocidental, Argélia e Tunísia). E muitas destas empresas possuem um forte vínculo e uma estreita relação com a família de Ben Ali. Para os investidores franceses, a filiação é clara e óbvia. Para se ter uma idéia, quase 50% da operadora telefônica Orange Tunisie - monopólio da France Telecom - e outros 50% eram de investimentos do genro de Ben Ali, acusado de corrupção generalizada e graves violações de direitos humanos.


Apesar das acusações fundadas contra Ben Ali, a França sempre teve uma conduta compreensiva com o regime na Tunísia – desde François Mitterrand, em 1981, até Nicolas Sarkozy. Esse conluio ponderado ao regime é explicado pela participação econômica e a convivência pacífica de empresas francesas no país. Apesar de a comunidade global insistir nas acusações, a França permaneceu defensiva. No dia 14 de janeiro, a conduta tolerante da frança foi porta a prova. No dia posterior, Bem Ali fugiu do país.


Dois dias antes, uma sangrenta manifestação popular contra o regime deixou mais de cem mortos. A ministra francesa das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie, concedeu ajuda policial e militar ao governo tunisiano com o objetivo de pacificar as coisas. A ministra afirma que deve ser respeitado o direito a manifestação tanto quanto o de segurança e que por isso, com o apoio expresso de Sarkozy, ofereceu ajuda. No mesmo dia, Frédéric Mitterrand, ministro francês da Cultura comentou sobre o motivo das manifestações. “Dizer que na Tunísia há uma ditadura é um exagero”, afirma.


Nota complementar: Aqui no Brasil não é diferente, digo, em Brasília. Os cartéis e grupos de famílias semipolíticas comandam a região, políticos mentem e ignoram a opinião pública. Insuflam os salários parlamentares e repudiam as greves salariais das categorias. Posso até dizer que não gosto da França, mas também não gosto do Brasil...


informações adicionais/fonte: Envolverde e Terra